OS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES CIGANAS ENTRE TRADIÇÃO E RESISTÊNCIA
PATRIARCADO, IDENTIDADE E FEMINISMO
DOI :
https://doi.org/10.25245/rdspp.v13i3.1735Mots-clés :
Etnia Cigana, Violência de gênero, Patriarcado, Feminismo ciganoRésumé
O imaginário e as narrativas sociais sobre a população cigana são o resultado de fantasias do senso comum, que perpassam desde traços estéticos a supostos comportamentos marginais que lhe são atribuídos. Assim, falar de violência de gênero contra as mulheres ciganas é também discutir sobre a discriminação que vem sendo negligenciada e esquecida pelo poder público desde o holocausto cigano e que faz dessas mulheres vítimas de violências múltiplas. Este trabalho tem como propósito abordar as questões de gênero, e suas implicações mais diretas, em relação as mulheres ciganas, seja na relação interna com a sua cultura, seja na relação com a cultura que lhe circunda. Pretende, ainda, demostrar que o feminismo cigano, diferentemente das visões dominantes do feminismo, reivindica a autonomia da mulher cigana em relação ao seu grupo sem perder sua condição de ciganeidade. Em termos de metodologia, a pesquisa é realizada a partir da revisão crítico-reflexiva dos temas pautados e da utilização do método da fenomenologia hermenêutica.
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